sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Falemos das árvores

que não têm pensamentos

De onde virão seus preciosos rebentos?

Uns dirão foi Deus a pensar

Outros a natureza, se calhar

Mas nunca pensar foi sua vontade

E crescem raízes, ergue-se o tronco e folheia-se a sombra

E tudo mexe, tudo cresce,

até que tudo tomba

Será do seu tempo

tão pesar tombar?

Ou foi a árvore a pensar?

Para quê ser-se árvore

Quando nas colunas de terra males estão

Quando nos céus doiram grãos de sol

E tudo o que é resume-se ao seco estar

De um Mundo fitar

Sem nenhuma compreensão

Vale a pena ser árvore?

Vales são profundos e o valer uma negação

Mostrar-se sem pudores

Sem desdenhar piores

Sulcos do coração

E tudo vem e tudo vai

Tudo seria se se quisesse

Tudo um dia se eu fizesse

São todos folhas

São todos côdeas do mesmo pão

Todos sim e todos não

Mas nunca árvores...

Pois estroina não é sua forma

Pois sensata é sua norma

E nós quem somos

nós que pomos

humilde fingir

Em modesta oportunidade...

Quem seremos nós de verdade?

Árvores não.

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