Falemos das árvores
que não têm pensamentos
De onde virão seus preciosos rebentos?
Uns dirão foi Deus a pensar
Outros a natureza, se calhar
Mas nunca pensar foi sua vontade
E crescem raízes, ergue-se o tronco e folheia-se a sombra
E tudo mexe, tudo cresce,
até que tudo tomba
Será do seu tempo
tão pesar tombar?
Ou foi a árvore a pensar?
Para quê ser-se árvore
Quando nas colunas de terra males estão
Quando nos céus doiram grãos de sol
E tudo o que é resume-se ao seco estar
De um Mundo fitar
Sem nenhuma compreensão
Vale a pena ser árvore?
Vales são profundos e o valer uma negação
Mostrar-se sem pudores
Sem desdenhar piores
Sulcos do coração
E tudo vem e tudo vai
Tudo seria se se quisesse
Tudo um dia se eu fizesse
São todos folhas
São todos côdeas do mesmo pão
Todos sim e todos não
Mas nunca árvores...
Pois estroina não é sua forma
Pois sensata é sua norma
E nós quem somos
nós que pomos
humilde fingir
Em modesta oportunidade...
Quem seremos nós de verdade?
Árvores não.
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