Parvo que sou
Como as tais trepadeiras despropositadas
Tudo é fingido e tudo é verdade
Tudo como dados da sorte
Tudo como claridade
E eis que vem
O que não devia vir
O aparecer de algo
O surgir
Outra verdade
Outro acontecimento
A justiça, o seu estabelecimento
Tão contente que estou, que não cabe meu contentamento
E continuo por aí
Em ironia rodoviária
Qual estrada que não leva a nenhum sítio, nada
É uma viagem diária
De bom samaritano
Ser Homem é ser insatisfeito,
É ser Humano
Por mais que o tempo mude
Não muda o que devia mudar
Nem para o bem de uns
Nem de outros, para variar
E dizem que sim
Como quem diz que não
Mentir por aí
Afirmando ter razão
E são crises e são unhas
E são vontades nenhumas
Tudo é despropósito
No atestar de um depósito
Falar sob as nuvens
De uma luz nunca vista
Dizer que ela é nossa
Ela é nossa conquista
Mas de nada é feito nada
E viver ao desalento
É dizer que não existe tempo
Deambular por aí
Pelas vielas da mediocridade
E dizer que sim, dizer que não
Dizer à vontade
Que são outras as certezas
É outro o coração
E daqui resulta
A nova oração:
Não é nossa...a culpa
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